Doença Celíaca PDF Imprimir E-mail

DOENÇA CELÍACA


            A doença celíaca (DC), também conhecida como sprue celíaco, é uma condição inflamatória do intestino delgado, que acomete pessoas geneticamente predispostas. Ela é precipitada pela ingestão de glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivado s.  O glúten encontrado nas massas, pizzas, bolos, pães, biscoitos, cerveja, uísque, vodka, alguns doces, etc, provoca dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

            A DC pode começar em qualquer idade, porém, normalmente ocorre em torno de 2 anos , após o trigo ser introduzido na dieta, ou em adultos jovens. A extensão da área de absorção intestinal perdida é que determina se o indivíduo com doença celíaca desenvolverá sintomas. Várias doenças auto-imunes, tais como: doenças tireoidianas, doença de Addison, trombocitopenia auto-imune, sarcoidose, entre outras, estão associadas a DC. Aproximadamente 2 a 4 % dos pacientes com diabetes mellitus insulino-dependente apresentam DC.

            A DC pode apresentar complicações tais como: linfoma e adenocarcinoma que podem se desenvolver no intestino, osteoporose devido a absorção diminuída de cálcio, mal formações congênitas para bebês de mães que têm a doença, baixa estatura como resultado da deficiência de absorção de nutrientes durante vários anos (em casos em que a doença é diagnosticada ainda na infância pode-se prevenir este problema), e convulsões devido a absorção inadequada do ácido fólico.

            Os portadores de DC podem apresentar sintomas como diarreia, com perda de gordura nas fezes, vômito, perda de peso (o que indica comprometimento importante da superfície de absorção  envolvendo grande parte do intestino delgado), irritabilidade, falta de apetite, déficit de crescimento, distenção abdominal, inchaço nas pernas, anemias, alterações na pele, fraqueza das unhas, queda de pêlos, diminuição da fertilidade, alterações do ciclo menstrual e sinais de desnutrição. A sensibilidade ao glúten também pode manifestar-se  como bolhas, vermelhidão, ou estrias avermelhadas nas superfícies extensoras do corpo (dermatite herpetiforme).

 

DIAGNÓSTICO


            Para se fazer o diagnóstico da DC, a história, o exame físico e o aspecto da criança são muito sugestivos. Também poderá ser feita a dosagem de gordura nas fezes e a prova de D-xilose para checar se está ocorrendo a absorção de alimentos pelo intestino. Porém, estas provas não são específicas para doença celíaca, pois podem alterar em outras doenças diarreicas.

            Há também os testes sorológicos que representam os marcadores imunológicos de atividade da doença, porém, é importante destacar que nenhum destes testes é patognomônico para o diagnóstico. Os testes sorológicos mais usados são:

            *Anticorpos anti-gliadina IgG e IgA:  A pesquisa de ambos os anticorpos faz com que este teste tenha uma boa sensibilidade para o diagnóstico da doença celíaca, porém, sabe-se que é um teste que perde em especificidade frente a testes mais recentemente desenvolvidos. Isto ocorre porque os anticorpos anti-gliadina podem ser detectáveis em pacientes com outras patologias intestinais inflamatórias e é descrita também sua presença em indivíduos normais. Entretanto, ainda é o teste sorológico mais útil em crianças com menos de 2 anos de idade; além disto, pacientes com deficiência de IgA (que ocorre em 2-10% dos celíacos) também se beneficiam do emprego deste teste, que detecta também IgG.

            *Anticorpos anti-transglutaminase IgG e IgA: Realizado por técnica imunoenzimática, apresenta elevada sensibilidade e especificidade, especialmente se o antígeno empregado no ensaio for de origem humana.

            *Anticorpos anti-endomísio IgG e IgA: O endomísio é uma bainha de fibrilas reticulares que envolvem as fibras da musculatura lisa. Na DC, a ingestão do glúten leva a produção de anticorpos anti-endomísio.

            Ambos os testes, (anticorpos anti-endomísio e anti-transglutaminase), raramente apresentam resultados falso-positivos, mas resultados falso-negativos são descritos em casos de enteropatia leve, pacientes com deficiência de IgA e crianças menores de 2 anos.

            Se levarmos em conta apenas um teste sorológico, o anticorpo anti-endomísio deve ser considerado o mais preciso, porém apresenta duas limitações: primeira, cerca de 2% dos pacientes com DC têm deficiência de IgA, assim, anticorpo anti-endomísio da classe IgA, não será positivo nesse grupo de pacientes; segunda, é a relativa baixa sensibilidade nas crianças menores de 2 anos de idade. Considerando estes fatores, a combinação destes marcadores proporcionará melhor valor diagnóstico.

            Além de auxiliarem no diagnóstico, a pesquisa e titulação dos anticorpos é muito útil no seguimento terapêutico, pois, com a retirada total dos alimentos contendo glúten, os níveis de anticorpos se reduzem ou se negativam cerca de 3-6 meses após início da dieta. Uma ascensão nos níveis de anticorpos indica que o paciente, de alguma forma, não está obedecendo a prescrição alimentar, ou está se expondo ao glúten sem conhecimento.

            O padrão ouro para diagnóstico de DC é a biópsia intestinal. Atualmente, prefere-se o emprego de endoscopia digestiva alta para obtenção de amostra de mucosa da 2ª ou 3ª porção duodenal. O aspecto histológico característico consiste em ausência de vilosidades, presença de criptas hiperplásicas e aumento na mucosa, do número de linfócitos intra-epiteliais e de plasmócitos; observa-se também um aumento do número de linfócitos na lâmina própria.


TRATAMENTO


            O tratamento da DC é basicamente dietético, devendo-se excluir o glúten da dieta durante toda a vida, tanto nos indivíduos sintomáticos, quanto assintomáticos.

            A dieta destes indivíduos com DC deverá atender às necessidades nutricionais, de acordo com a idade. São considerados alimentos permitidos: arroz, grãos (feijão, lentilha, soja, ervilha, grão de bico), gorduras, óleos e azeites, legumes, hortaliças, frutas, ovos, carnes (de vaca, frango, porco, peixe) e leite. O glúten poderá ser substituído pelo milho (farinha de milho, amido de milho, fubá), arroz (farinha de arroz), batata (fécula de batata), e mandioca (farinha de mandioca e polvilho). Após a retirada do glúten da dieta a resposta clínica é rápida, havendo desaparecimento dos sintomas gastrointestinais dentro de dias ou semanas, observando-se notável incremento da velocidade de crescimento depois de pouco tempo de dieta.

            No Brasil, em virtude das dificuldades para garantir a prática da dieta isenta de glúten, foi promulgada, em 1992, a Lei Federal número 8.543, que determina a impressão da advertência “contém glúten” nos rótulos e embalagens de alimentos industrializados que apresentem em sua composição derivados do trigo, centeio, cevada e aveia. Assim, os portadores de DC podem identificar os alimentos que não devem consumir. No entanto, as embalagens dos produtos que não o contenham, não necessitam, segundo a mesma Lei, virem acompanhadas dos dizeres “não contém glúten” e, obviamente, podem ser consumidos pelos celíacos.

         

            O Laboratório Humberto Abrão disponibiliza em sua listagem de exames os testes de absorção para doença celíaca (teste de D-Xilose e Gordura Fecal) e os testes sorológicos (anticorpo anti-gliadina IgG e IgA, anti-endomísio IgG e IgA e anti-transglutaminase IgG e IgA).

 

Dra. Gabriela Campos Fonseca

Dep. Bioquímica

*Este material tem caráter meramente informativo. Não deve ser utilizado para realizar autodiagnóstico ou automedicação. Em caso de dúvidas, consulte seu médico. 

 

 

 

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