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Humberto Abrão

Alzheimer e o Protocolo ReCODE

Alzheimer

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social, interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. De início, o paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode até lembrar com precisão acontecimentos de anos atrás, mas esquece o que acabou de comer.

Com a evolução do quadro, o Alzheimer causa grande impacto no cotidiano da pessoa e afeta a capacidade de aprendizado, atenção, orientação, compreensão e linguagem. A pessoa fica cada vez mais dependente da ajuda dos outros, até mesmo para rotinas básicas, como higiene pessoal e alimentação.

Alzheimer no Brasil

No Brasil, existem cerca de 15 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Seis por cento delas têm a doença de Alzheimer, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). Em todo o mundo, 15 milhões de pessoas têm Alzheimer, doença incurável acompanhada de graves transtornos às vítimas. Nos Estados Unidos, é a quarta causa de morte de idosos entre 75 e 80 anos. Perde apenas para infarto, derrame e câncer.

Alzheimer tem cura?

Até o momento, não existe cura para a Doença de Alzheimer. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença.

As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento. Os objetivos dos tratamentos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, conseguindo manter-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo.

Protocolo RECODE (“reverse cognitive decline”): Uma esperança para pacientes com Alzheimer e Declínio Cognitivo.

Depois de décadas de pesquisas sobre o Alzheimer e baseado nos princípios da medicina funcional, Dr. Dale Bredesen, diretor da pesquisa sobre doenças neurodegenerativas da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, e autor de “The End of Alzheimer’s: The First Program to Prevent and Reverse Cognitive Decline” (O Fim do Alzheimer: O Primeiro Programa de Prevenção e Reversão do Declínio Cognitivo, em tradução livre) desenvolveu um programa para o tratamento de Alzheimer, do declínio cognitivo leve e do declínio cognitivo subjetivo.

Este método inovador tem obtido resultados excelentes: mais de 85% das centenas de pacientes tratados pelo protocolo obtiveram melhora significativa ou uma reversão do quadro. Daqueles que não responderam ao tratamento, em sua grande maioria, eram de pacientes em fase avançada da doença.

Levando em conta que, mesmo hoje, ainda não há um tratamento comprovadamente eficaz para a Doença de Alzheimer em qualquer estágio, podemos considerar este protocolo de tratamento uma grande revolução na maneira como estes pacientes são tratados.

O que ele descobriu de tão inovador?

Primeiramente, o Dr. Bredesen descobriu os receptores dependentes. Que levam esse nome pois dependem de ligantes para não promoverem a apoptose (morte celular).

A sua outra descoberta, foram as placas de beta amiloide encontradas em cérebros de pacientes acometidos pelo Alzheimer que impedem que os ligantes se conectem a estes receptores, levando a morte de células neuronais.

Além disso, ele observou que existe um equilíbrio entre os fenômenos que acarretam a degeneração sináptica e a apoptose e aqueles que promovem a regeneração sináptica e a preservação dos neurônios. Fenômeno este, que ocorre em diversos sistemas do nosso organismo, e todos tem a sua importância, quando estão com o seu equilíbrio devidamente preservado. Na maioria dos casos, a Doença de Alzheimer ocorre devido a um aumento da degeneração neuronal perante a regeneração destas estruturas. Pendendo a balança para o lado da morte celular, o que leva ao aparecimento dos sintomas da doença.

Sendo assim, a pesquisa revelou que a proteína precursora da beta amilóide (PPA) é um receptor dependente e que pode ser clivada de duas maneiras: em um local ou em três locais. Na primeira situação não há a produção de beta amilóide, o que causa uma maior preservação neuronal e quando ela é clivada em três locais, uma das moléculas produzidas será a beta amilóide, gerando uma maior degeneração neuronal.

Outra grande revelação foi de que, além deste, existem 36 fatores que influenciam significativamente se vai haver uma maior regeneração ou degradação neuronal.

Concluiu-se que apenas um remédio não pode funcionar para o Alzheimer, pois todos eles agem em apenas um ou, no máximo, dois dessas 36 variáveis, sem afetar as outras, o que explica o insucesso da indústria farmacêutica para encontrar uma droga eficaz para combater este mal e a grande dificuldade de tratar essa doença, e que portanto, deveria adotar uma maneira diferente de tratamento para obter bons resultados no tratamento do Alzheimer.

Portanto uma investigação e tratamento individualizados devem ser feitos, através de vários exames de sangue, imagem e outros. A seguir, uma listagem com os principais exames costumeiramente solicitados:

Exames de sangue:

  • Proteína C Reativa – Ultra sensível
  • Homocisteína
  • Vitaminas: B6, B12, C, D, E e folato
  • Ômega-6: proporção de ômega-3
  • Relação A / G (relação albumina: globulina)
  • Insulina em jejum
  • Glicose
  • Hemoglobina A1c
  • LDL-p ou sdLDL ou LDL oxidado
  • Colesterol, HDL, triglicérides
  • Glutationa
  • Estradiol (E2)
  • Progesterona (P)
  • Pregnenolona
  • Cortisol
  • Sulfato de DHEA
  • Testosterona, testosterona livre
  • T3 livre, T4 livre, T3 reverso, TSH
  • Mercúrio, chumbo, arsênico, cádmio e cobre c/ ​​proporção de zinco
  • TGF-β1

Outros exames:

  • Ressonância Magnética com visualização volumétrica do hipocampo
  • Estudo do sono
  • Microbioma intestinal, nasal e oral

Tratamento

Depois de identificar fatores genéticos e/ou bioquímicos que fazem a degeneração sináptica levar a melhor sobre a formação e a preservação sináptica, o protocolo ReCODE pede que tratemos cada um deles, não de maneira isolada, mas todos em conjunto, observando cada aspecto daquele indivíduo em particular. Portanto, é um tratamento diferenciado do que estamos acostumados a ver na medicina tradicional, no qual se tem uma doença, toma-se um remédio, e a enfermidade desaparece. Neste caso, é preciso ter um olhar para o todo, o organismo completo e não apenas para um determinado sistema específico.

O protocolo geralmente leva 3 a 6 meses para começar a apresentar resultados na maioria das pessoas. Ele também lança uma nova luz sobre a natureza da doença. Mais pacientes foram beneficiados através do protocolo.

A evidência clínica, até agora, é que o protocolo Bredesen (ReCODE), parece levar a uma remissão sustentada dos sintomas de Alzheimer, desde que os pacientes permaneçam em tratamento constante.

Resumindo, começa-se pela correção da dieta (uma das principais medidas). Depois deve ser corrigido déficits de vitaminas, minerais, hormonal, entre outras. Em terceiro, corrigir intoxicações exógenas.

Deste modo, o tratamento, é extremamente individualizado e só pode ser realizado após a realização de exames e conduzido exclusivamente por profissional médico.

 

Referências bibliográficas:

Ministério da Saúde. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/226_alzheimer.html

Associação Brasileira de Alzheimer. Disponível em: http://abraz.org.br/sobre-alzheimer/o-que-e-alzheimer

Alzheimer’s Association. Disponível em: https://www.alz.org/alzheimers_disease_what_is_alzheimers.asp

“The End of Alzheimer’s: The First Program to Prevent and Reverse Cognitive Decline” – Dr. Dale Bredsen

 

Bernardo Augusto De Luna Carneiro Pinheiro

Biomédico – CRBM 6450

Setor Imunologia / Hormônios

5 de Abril de 2019 Post direita , , , , , , ,

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