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Humberto Abrão

 

O câncer de mama, mais incidente entre as mulheres em todo o mundo, é considerado de relativo bom prognóstico, quando confirmado e tratado precocemente.

Os melhores resultados estão relacionados ao diagnóstico precoce por mamografia, sendo este exame um método eficaz de rastreamento populacional.

No Brasil, as estimativas de incidência de câncer de mama para 2019 são de 59.700 casos novos, o que representa 29,5% dos cânceres em mulheres (INCA, 2019).

Neoplasia nos homens

O câncer de mama masculino é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença (INCA, 2019). Apesar da baixa incidência, é de pior prognóstico em relação ao câncer feminino, pois o homem possui menor quantidade de tecido mamário, maior proximidade do tumor à pele e ao plano muscular que, somados, propiciam uma invasão de estruturas adjacentes, além de favorecer precocemente a disseminação vascular e linfática.

O gráfico abaixo mostra, distinto por sexo, o número de óbitos por câncer de mama.

Brasil, 2016

Óbitos por câncer de mama

 

 

Fonte: INCA, 2019

Quais fatores aumentam o risco de desenvolvimento do câncer de mama?

A idade é um dos mais importantes (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos). Outros fatores:

*A mulher que possui um ou mais desses fatores genéticos/hereditários é considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama.

Fonte: INCA, 2019

Sintomas

Caroço (nódulo), geralmente indolor; alterações no bico do peito (mamilo); pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço; saída de líquido anormal das mamas.

Essas alterações precisam ser investigadas o quanto antes, mas podem não ser câncer de mama.

Estadiamento

Estadiar um caso de câncer significa avaliar seu grau de disseminação. A necessidade de classificá-lo em estádios baseia-se na constatação de que as taxas de sobrevida são diferentes quando a doença está restrita ao órgão de origem ou quando ela se estende a outros órgãos.
O estadiamento clínico anatômico define a extensão da doença segundo o tamanho do tumor, a presença ou não de linfonodos axilares homolaterais comprometidos e a presença de doença fora da mama. Desta forma, é possível agrupá-los de 0 a IV, sendo 0 a classificação referente ao carcinoma de mama in situ, I o estádio mais inicial e IV o mais avançado dos carcinomas invasivos (INCA, 2019).

Diagnóstico

A estratégia adotada para a detecção precoce desse câncer no Brasil consiste em rastreamento mamográfico em mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. Quando, após rastreamento, há suspeita de câncer, deve-se realizar biopsia.

A classificação molecular do câncer de mama pode ser realizada no material histopatológico por

análise genética e, mais comumente, por imuno-histoquímica.

Exames Laboratoriais e de Imagem

Os exames complementares necessários para o estadiamento são hemograma, dosagens séricas de glicose, ureia, creatinina, fosfatase alcalina (FA) e transaminases, eletrocardiograma (ECG) e radiografia simples de tórax. Em casos de estágio I ou II e FA normal, bastam os exames supracitados.

Nos casos de pacientes com FA aumentada, com dores ósseas ou em estágio III, recomenda-se adicionar os exames de cintilografia óssea e ultrassonografia abdominal. A cintilografia óssea também está indicada em caso de elevação de FA, dor óssea, sintomas abdominais e aumento de transaminases (estágio IIIb e IV).

Marcador tumoral CA-15.3 – utilizado no acompanhamento de pacientes com câncer de mama. Não deve ser empregado na triagem ou diagnóstico.

Sequenciamento completo BRCA1 e BRCA2 – estes genes codificam proteínas envolvidas na supressão tumoral, ou seja, impedem que as células cresçam e se dividam muito rapidamente ou de maneira descontrolada. As mutações destes genes podem resultar em menor quantidade destas proteínas disponíveis para ajudar a reparar o DNA danificado ou corrigir mutações que ocorrem em outros genes.

Teste BRCA+ PLUS – exame genético que objetiva detectar mutações pontuais e pequenas inserções/deleções em 18 genes relacionados com o câncer ginecológico hereditário (mama e ovário). Diferente dos outros painéis, o Teste BRCA+ PLUS é o único que realiza a análise de grandes deleções e duplicações para os genes BRCA1, BRCA2 e EPCAM, além do confirmatório para todas mutações patogênicas ou provavelmente patogênicas. Dessa forma, o Teste BRCA+ PLUS integra as três técnicas: NGS + MLPA e sequenciamento bidirecional Sanger, em uma única análise.

Possíveis tratamentos

Quimioterapia, hormonioterapia e/ou terapia-alvo molecular e local; cirurgia radical ou conservadora e radioterápico (NCCN, 2018). Quando realizado antes da cirurgia curativa, o tratamento é chamado de neoadjuvante e tem por objetivo eliminar possíveis micrometástases (células que escapam da mama para outros lugares do corpo), reduzir o tamanho do tumor para facilitar a realização da cirurgia da mama, aumentar as possibilidades de tratamento cirúrgico conservador da mama e avaliar in vivo a sensibilidade do tumor ao tratamento. Após a cirurgia curativa, o tratamento adjuvante e/ou local também tem por objetivo eliminar possíveis micrometástases. A radioterapia, quando indicada, é realizada após o procedimento cirúrgico. Por último, o tratamento paliativo é realizado em pacientes com metástases, visando à melhoria da qualidade vida.

 

Referências Bibliográficas:

 

BONFIM, Raimundo Jovita de Arruda et al. Câncer de mama no homem: análise dos aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos em serviço formal brasileiro. Revista Brasileira de Oncologia Clínica. Maranhão. Vol. 10, nº 37. Disponível em: https://www.sboc.org.br/sboc-site/revista-sboc/pdfs/37/artigo1.pdf. Acesso em 02 out 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria Conjunta nº 19 de 3 de julho de 2018. Aprova as Diretrizes Diagnósticas e terapêuticas do Carcinoma de Mama. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/julho/16/Portaria-Conjunta-n-19–PCDT-Carcinoma-de-Mama.pdf. Acesso em 02 out. 2019.

INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. A situação do câncer de mama no Brasil: Síntese de dados dos sistemas de informação. Rio de Janeiro. 2019. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/a_situacao_ca_mama_brasil_2019.pdf. Acesso em 04 out. 2019.

INCA. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estadiamento. Última modificação: 22/04/2019 | 14h20. Disponível em https://www.inca.gov.br/estadiamento. Acesso em 02 out. 2019.

LEME, L. H. S.; SOUZA, G. A. Câncer de mama em homens: aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos. Revista Ciências Médicas, Campinas, 15(5):391-398, set./out., 2006.

NCCN. National Comprehensive Cancer Network. BREAST CANCER INVASIVE 2018. Disponível em: https://www.nccn.org/patients/guidelines/breast-invasive/index.html#zoom=z. Acesso em 08 out. 2019.

 

 

 

 

Cristina Januário – CRBM/MG 8794

Especialista Laboratorial

Laboratório Humberto Abrão

 

 

29 de outubro de 2019 Post direita , , , , , , ,

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