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Humberto Abrão

Sarampo – Saiba mais sobre a doença

 

O sarampo é uma doença infecto-contagiosa, causada por um vírus da família Paramyxovirus do gênero Morbillivirus, apresenta alta taxa de transmissão, possui distribuição global, podendo contagiar ambos os sexos e atinge desde crianças a jovens adultos.

O vírus é antigenicamente homogêneo, embora existam vários genótipos. A vacina ou a infecção estimula a produção de anticorpos IgM e IgG, respectivamente, a primeira costuma aparecer 72 horas, e a segunda 12 a 15 dias após infecção conferindo memória imunológica. Em alguns casos, os níveis da IgG podem cair, mas os vacinados com duas doses manterão proteção apesar disto. Apesar da ampla cobertura vacinal, surtos são observados quando existem 3 a 7% de pessoas susceptíveis na população.

EPIDEMIOLOGIA

É uma das doenças com erupções cutâneas mais perigosa, causando a morte de cerca 450 mil pessoas por ano, sendo a maioria crianças (em países subdesenvolvidos). Apesar de haver vacina nem todos são e estão vacinados, sendo esse o maior desafio para a erradicação desta doença.

TRANSMISSÃO

A transmissão ocorre por contato direto com gotículas de secreções respiratórias de pessoas doentes. O meio de entrada do vírus são as mucosas do nariz, orofaringe (fundo da garganta) e conjuntiva (olhos).

O período de transmissão do vírus ocorre do quarto dia antes surgimento das erupções cutâneas (manchas avermelhadas), até quatro dias após. Considera-se o período pré-erupções cutâneas o de maior contágio.

QUADRO CLINICO

É a forma clássica da doença: febre moderada a alta (38,5 a 40,5°C), anorexia, conjuntivite com lacrimejamento, fotofobia, diarréia, sintomas de infecção do trato respiratório alto com tosse seca, coriza, hiperemia da mucosa oral, manchas de Koplik (lesões puntiformes branco azuladas com base eritematosa na cavidade oral); eritema cutâneo (lesões vermelhas e planas com pápulas pequenas e confluentes, começando na face atrás da orelha e pescoço, atingindo os membros inferiores em 72 horas após seu início).

Apesar de rara, a forma mais grave da doença é o sarampo hemorrágico, caracterizado por intensa toxemia de início súbito, com febre alta, convulsão, delírio, podendo chegar ao coma e resultar em graves distúrbios respiratórios. Além do exantema hemorrágico surge sangramento na boca, nariz e tubo digestivo. A coagulação intravascular disseminada parece estar envolvida nesse processo, que se caracteriza por ser frequentemente fatal.

Podem ocorrer complicações durante o período dos primeiros sinais e sintomas e no início do exantema, dentre elas destacam-se: pneumonite intersticial, encefalite, laringite obstrutiva, miocardite, estomatite, lesões oculares (ceratites, iridociclites, úlceras de córneas).

PREVENÇÃO

A prevenção é realizada com a vacina contra o sarampo que é constituída por vírus vivo atenuado, geralmente em formulações combinadas como:

  • Dupla viral: (sarampo e rubéola);
  • A tríplice (sarampo, rubéola e caxumba);
  • Tetra viral (sarampo, rubéola, varicela e caxumba).

 Avaliação da cobertura vacinal deve ser feita pelos profissionais de saúde na faixa etária de 1 a 49 anos, para identificar, atualizar e montar esquemas de vacinação de acordo com a faixa etária.

Alguns estudos dizem que a vacina pode impedir o surgimento ou modificar a doença, em até 72 horas após a exposição.

Devido aos contínuos surtos e o aumento da incidência dessa doença, em algumas regiões do Brasil, não é aconselhável retardar a administração da primeira dose da vacina para depois de 1 ano de idade ou o reforço para após os 6 anos. Uma dose extra está sendo aplicada no Brasil entre os seis e onze meses de idade, mas essa dose não é contada para o esquema de duas doses após um ano de idade.

Pacientes internados com sarampo, devem ser mantidos em quarto privativo com a porta fechada e sistema de ventilação por pressão negativa, a fim de evitar disseminação da doença.

DIAGNÓSTICO

Diagnóstico é realizado através dos sinais e sintomas associados à confirmação por exames de laboratório, que detectam a presença do vírus no organismo. Os exames laboratoriais utilizados para identificar a infecção pelo vírus são:

  • Ensaio sorológico imunoenzimático e/ou imunofluorescência para IgM (resposta aguda) e IgG (resposta tardia) para sarampo.

 É possível observar no hemograma alterações como leucopenia, neutropenia absoluta e a linfopenia.

Mais recentemente a realização de PCR tem contribuído para o diagnóstico.

TRATAMENTO

Segundo a literatura científica não há tratamento específico para o sarampo, e sim dos seus sintomas: antitérmicos, reposição hidroeletrolítica e nutrição adequada, limpeza de secreções oculares e nasais com soro fisiológico, administração de vitamina A para crianças, e imunodeprimidos em carência desta vitamina.

Para mais esclarecimentos sobre tratamento, procure seu médico.

 

Referências Bibliográficas:

 

FIOCRUZ; SARAMPO: SINTOMAS, TRANSMISSÃO E PREVENÇÃO online. Disponível em <https://www.bio.fiocruz.br/index.php/sarampo-sintomas-transmissao-e-prevencao> Acessado em 06/09/2019 às 17:45

SILVA, N.V.A; DOENÇAS EXANTEMÁTICAS DA INFÂNCIA COM MANIFESTAÇÕES ORAIS online. Disponível em < https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/26224/1/ ulfmd06028_tm_Mara_Ramos.pdf> Acessado em 06/09/2019 às 18:30

MARTINS, C.L; NÍVEIS DE ANTICORPOS CONTRA O SARAMPO ENTRE AS MULHERES EM IDADE FÉRTIL NA POPULAÇÃO DA GUINÉ BISSAU EXPOSTAS A SARAMPO NATURAL E A IMUNIZAÇÃO CONTRA SARAMPO online. Disponível em < https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/5365/2/492.pdf > Acessado em 06/09/2019 às 16:30

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18 de Fevereiro de 2019 Post Esquerda , , , , , , ,

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